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quinta-feira, 7 de maio de 2009

De deusa, linda, fonte de mel à cachorrinha, tchutchuca, atoladinha. Cadê o romantismo?

Década de 30 "Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa! Do amor por Deus esculturada. És formada com o ardor da alma da mais linda flor, de mais ativo olor, que na vida é a preferida pelo beija-flor...."

Década de 40

"A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua, costuma se embriagar. Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado sonho, vai claridade buscar"

Década de 50

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça. É ela a menina que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar. Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema. O teu balançado é mais que um poema. É a coisa mais linda que eu já vi passar."

Década de 60

"Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que o meu amor, nem mais bonito...”

Década de 70

"Foi assim... como ver o mar...a primeira vez que os meus olhos se viram no teu olhar...Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que era amor e vinha pra ficar..."

Década de 80

"Fonte de mel, nos olhos de gueixa, Kabuki, máscara. Choque entre o azul e o cacho de acácias, luz das acácias, você é mãe do sol. Linda sabe viver você me faz feliz...."

Década de 90

“Agora vem pra perto vem, vem depressa vem sem fim dentro de mim que eu quero sentiro teu corpo pesando sobre o meu vem meu amor vem pra mim,me abraça devagar,me beija e me faz esquecer".

Ainda na década de 90 Bota a mão no joelho. E dá uma abaixadinha. Vai mexendo gostoso, balançando a bundinha. Agora mexe vai, Mexe, mexe mainha. Agora mexe, Mexe, mexe lourinha. Agora mexe, Mexe, mexe neguinha. Agora mexe Balançando a poupancinha.

Em 2001 "Tchutchuca! Vem aqui com o teu Tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão! Vem... “Vem Tchutchuca! Linda, senta aqui com seu pretinho vou te pegar no colo e ti fazer muito carinho...

Em 2002 Abre as pernas, faz beicinho, vou morder o seu grelinho....Vai Serginho, vai Serginho....

Em 2003

"Vou mandando um beijinho. Pra filinha e pra vovó. Só não posso esquecer. Da minha Eguinha Pocotó Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó. Minha eguinha Pocotó!Pocotó, pocotó, pocotó, pocotó. Minha eguinha POCOTÓ...."

Em 2004 “Ah! Que isso? Elas estão descontroladas! Ah! Que isso? Elas Estão descontroladas! Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas! Ela sobe, ela desce, ela da uma rodada, elas estão descontroladas!...”

Em 2005 “Hoje é festa lá no meu apê, pode aparecer, vai rolar bunda lele!!! Hoje é festa lá no meu apê, tem birita até ao amanhecer”

2006 “Tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha!!! Calma, calma foguetinha!!! Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim, Piriri Piriri Piriri, alguém ligou p/ mim !!!”

Ainda em 2006 Vai dá tapinha na bundinha. Vai que eu sou sua cachorrinha.Vai que eu tô muito assanhada. Vamos da uma lapadinha só se for na rachadinha.

Oh, my god! Não é à toa que o romantismo está cada dia mais distante das pessoas. Não precisa ser um grande poeta como foram os da 1º, 2º e 3º geração romântica no Brasil. Daí, a tratar alguém ou algo como "cachorinha", "assanhada", "foguetinha", "descontrolada", "grelinho", "bunda lele" é estimular a infidelidade, hein?!. Depois não reclama. A música tem o poder de extrair as coisas boas e ruim das pessoas. A escolha é livre, mas a colheita é obrigatória. Sem amor, tudo fica muito pequeno, pobre, incerto. Pense nisso. Abraços! Sheila.

3 comentários:

Rodrigo Piva disse...

Essas porcarias, desculpe a palavra, existem pq há público que consome, e não são poucos.

Hoje em dia basta fazer uma letra sem pé nem cabeça, de preferência com conotação sexual, escolher dançarinas seminuas que não se envergonhem por tornassem objeto e pronto, sucesso.
Infelizmente...

Beijo

planetadablogueira disse...

Concordo com o que você postou!!! é a realidade!!!
Tô seguindo seu blog.
Sucesso

ProfessorNelsonMS disse...

Sheila,

Com este post você nos ofertou uma poderosa ferramenta de conscientização. O tratamento cronológico que você deu às informações aqui contidas foi uma grande obra !

Um abraço.

Nelson

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